Marcha da quarta-feira de cinzas (1965) - Vinicius de Moraes e Carlos Lyra
Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri
Se beija e se abraça
E sai caminhandoA tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir
Voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar de que a gente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
“Milho aos pombos”, (1981), Zé Geraldo
Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí queimando pestanas organizando suas batalhas
Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas mortalhas
A cada conflito mais escombros Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos
Entra ano, sai ano, cada vez fica mais difícil o pão, o arroz, o feijão, o aluguel
Uma nova corrida do ouro o homem comprando da sociedade o seu papel
Quando mais alto o cargo maior o rombo / Eu dando milho aos pombos no frio desse chão
Eu sei tanto quanto eles se bater asas mais alto voam como gavião
Tiro ao homem tiro ao pombo / Quanto mais alto voam maior o tombo / Eu já nem sei o que mata mais
Se o trânsito, a fome ou a guerra
Se chega alguém querendo consertar vem logo a ordem de cima
Pega esse idiota e enterra
Todo mundo querendo descobrir seu ovo de Colombo
“Sinal Fechado” (1969), Paulinho da Viola
Olá, como vai / Eu vou indo e você, tudo bem?
Tudo bem, eu vou indo, correndo / Pegar meu lugar no futuro, e você?
Tudo bem, eu vou indo em busca / De um sono tranqüilo, quem sabe?
Quanto tempo... Pois é, quanto tempo...
Me perdoe a pressa É a alma dos nossos negócios... Qual, não tem de que / Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona? / Precisamos nos ver por aí / Pra semana, prometo, talvez / Nos vejamos, quem sabe?
Quanto tempo... Pois é, quanto tempo...
Tanto coisa que eu tinha a dizer / Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer / Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa rapidamente
Pra semana...O sinal... Eu procuro você...
Vai abrir!!! Vai abrir!!!
Eu prometo, não esqueço, não esqueço / Por favor, não esqueça
Adeus... Adeus...
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