Pra Não Dizer que Não Falei das Flores – (1968) Geraldo Vandré
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não / Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Vem, vamos embora que esperar não é saber / Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Pelos campos a fome em grandes plantações / Pelas ruas marchando indecisos cordões
Ainda fazem da flor seu mais forte refrão / E acreditam nas flores vencendo canhão
Há soldados armados, amados ou não / Quase todos perdidos de armas na mão
Há soldados armados, amados ou não / Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição / De morrer pela pátria e viver sem razão
Nas escolas, nas ruas, campos, construções / Somos todos soldados, armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção / Somos todos iguais, braços dados ou não
Os amores na mente, as flores no chão / A certeza na frente, a história na mão
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Aprendendo e ensinando uma nova lição
Sapato 36 (1973) - Raul Seixas
Eu calço é 37 / Meu pai me dá 36
Dói, mas no dia seguinte / Aperto meu pé outra vez
Eu aperto meu pé outra vez
Pai eu já tô crescidinho / Pague prá ver, que eu aposto
Vou escolher meu sapato / E andar do jeito que eu gosto
E andar do jeito que eu gosto
Por que cargas d'águas / Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu / Sinto em meu peito
Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade / No dia em que você souber respeitar
A minha vontade / Meu pai / Meu pai
Pai já tô indo-me embora / Quero partir sem brigar
Pois eu já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar / Que não vai mais me apertar / Que não vai mais me apertar
Por que cargas d'águas / Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu / Sinto em meu peito
Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade / No dia em que você souber respeitar
A minha vontade / Meu pai - Meu pai
Pai já tô indo-me embora / Eu quero partir sem brigar
Já escolhi meu sapato / Que não vai mais me apertar / Que não vai mais me apertar / Que não vai mais me apertar
“Apesar de Você” (1969) – Chico Buarque
Amanhã vai ser outro dia / Hoje você é quem manda Falou, tá falado / Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda Falando de lado e olhando pro chão.
Viu? Você que inventou esse Estado Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado Esqueceu-se de inventar o perdão.
Apesar de você, amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder Da enorme euforía? Cómo vai proibir Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando E a gente se amando sem parar.
“O QUE SERÁ QUE SERÁ (À Flor da Pele)” (1976) – Chico Buarque
O que será, que será? Que andam suspirando pelas alcovas? Que andam sussurrando em versos e trovas?
Que andam combinando no bréu das tocas?
Que anda nas cabeças, anda nas bocas? Que andam ascendendo velas nos becos? Que estão falando alto pelos botecos? E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza. Será, que será.
O que não certeza, nem nunca terá?
O que não tem conserto, nem nunca terá?
O que não tem tamanho? O que será, que será?
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